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Dez 5, 2011

#RumosColetivo no Cariri

Depois das imersões em Poços de Caldas, Porto Alegre e São Carlos, chegou a hora de mergulhar na terra de Di Freittas, apelidado carinhosamente de nosso patrãozinho.  Juazeiro do Norte, na região do Cariri, um lugar mágico e místico, riquíssimo de tradições da cultura popular, terra do Padre Cìcero Romão. Acompanhado pelo parceiro Alfredo Bello e pela Andréia, produtora do Itaú Cultural, chegamos na 2a feira, dia 21/11 depois de uma maratona pós Festival Contato. Mesmo com todo o cansaço este dia foi bem produtivo, pois além de conversar bastante com o grupo e descansar um pouco, fomos para a região do Horto, encontrar dona Maria e os Mestres Bosco e Aldenir. Já munidos de equipamentos de gravação, registramos várias canções de autoria deles, rodeado por várias crianças e adolescentes que participaram em diversos momentos. Muita poesia e beleza natural de pessoas que vivem naturalmente a inspiração artística e passam para seus companheiros e para as novas gerações. Em poucas horas deu para perceber a riqueza infinita deles e de outros grupos que iríamos gravar nos próximos dias.

 

Dormimos cedo porque no outro dia pela manhã retornaríamos a maratona de ensaios para o repertório. Entre o ncontro e São Carlos e este havíamos conversado pouco, mas tinha novidades principalmente em relação as bases de programação que estou trabalhando e alguns esboços de novos sons. Começamos por uma música de Di Freittas chamada Flor do Algodão e ficamos um bom tempo experimentando possíveis arranjos e elementos para ela, até que chegamos a conclusão de levá-la com a essência da composição original, voz e violão, com efeitos de percussão e camadas de guitarra quase minimalistas. Depois, trabalhamos em mais três sons que a princípio já estavam fechados: A Roseira (Onde a Moça Mijou), Bendito, Futebol no Inferno. Demorou um pouco, mas voltamos a nos entrosar e talvez sentir a organicidade do grupo.


Terminado o ensaio, corremos para prestigiar a apresentação de um grupo de côco São Benedito, da Mestra Maria Inês, na semana de educação musical da UFC (Universidade Federal do Cariri). Na 4a feira a nossa relação foi muito melhor, talvez por estarmos mais a vontade pelo convívio ou por concentração e também já começamos o dia gravando o tema Futebol no Inferno, que ganhará um videoclipe. Ajustes finos, foco e alguns takes para se chegar a um resultado satisfatório para todo mundo. Pela manhã e tarde ainda repassamos alguns takes que não haviam sido trabalhados ainda, como Acalmaria, Canga Congada, Prelúdio da Solidão e outras que havíamos feito no dia anterior. 5a feira começou cedo com a apresentação da Orquestra Harmorial do Cariri, comandada por nosso patrão e com a presença de vários alunos e mestres, genial!!!

 

Depois, ensaiamos mais dois períodos, principalmente músicas do repertório que ainda estão se estruturando, como Sentinela, do Milton Nascimento e Milonga da Casa Tomada, do Arthur de Faria. No meio disso tudo, ainda não tínhamos um nome pro grupo, esperamos e pensamos que a Dona Maria do Horto poderia sugerir dentro dos fluxos doidos da imaginação dela. Numa dessas, antes dela chegar, agoniados por encontrar este nome, o Di perguntou “Cadê Dona Maria?” e no final, acabou virando o nome do grupo, por consenso de todos. Ela ainda apareceu no ensaio e cantou algumas lindas músicas suas, que foram registradas também. No embalo, fomos novemtne pra região do Horto, se juntar com uma criançada, uma porrada de bolas coloridas e numa babilônia imensa, foram gravadas imagens pro videoclipe de Futebol no Inferno. Na noite deste dia, depois de visitar a imagem do Padre Cícero, fizemos uma excelente conversa de avaliação do projeto e saímos com vários encaminhamentos bons em busca de render mais no tempo em que estamos distantes. Foi marcado mais um ensaio em fevereiro, e apresentação está confirmada para o final de abril!!!

 

 

Na madrugada, a maior parte da equipe voltou para suas cidades, e fiquei com o Alfredo e o Di gravando mais grupos de cultura popular. Na 6a feira fomos gravar uma banda cabaçal e um “toré de mulher” no quilombo Carcará, cerca de meia hora da pequena cidade de Potengi. Quem nos levou lá e nos apresentou para a calorosa comunidazde foi o Jefferson Bob, músico e secretário de cultura de lá, um cara antenado, que ainda vamos fazer mais coisas juntos, com certeza.

No sábado voltamos par aJuazeiro, mas  já partimos pra uma renovação muito bonita que aconteceu em um sítio afastado da cidade, e registramos várias rezas e novamente o coco do grupo da Mestra Maria Inês, que não cansou de tirar com a nossa cara e nos deixou muito a vontade. O domingo, depois de descansar um tanto, ainda gravamos um reizado e coco do Mestre Dôdo, e saímos felizes da vida com tanta energia e lições de vida que recebemos.

 

Ficou a instiga grande de um retorno em breve e o agradecimento especial para o Di Freittas e para a Cláudia. Seguimos juntos neste processo de produção e aprendizado cada vez mais amplo e coletivo. Quem quiser ouvir alguns sons e mais impressões sobre esta imersão, fizemos um especial no programa Independência ou Marte#212:

Set 19, 2011

Noite Fora do Eixo com Chinese Cookie Poets e Sin Ayuda + DF5

Venha curtir com a gente mais uma Noite Fora do Eixo!


Como sempre, o Aparelho e o Circuito Fora do Eixo trazem pra cidade o melhor do cenário independente musical que está em circulação no país. Para essa edição, duas ótimas notícias:

Chinese Cookie Poets – Vem do Rio de Janeiro-RJ a primeira atração, um power trio não muito peculiar. Isso pois se apresentam ora eletricamente, ora acusticamente. De qualquer maneira o som é pesado, rechado de espaços para improvisações, e a liberdade com que tocam os próprios instrumentos nos sugere uma atmosfera com sonoridade free rock jazz.

Sin Ayuda – Um som que vai do indie rock ao trip hop vibe em segundos que vem lá da cidade de Taubaté-SP. A banda conta com com integrantes de bandas renomadas como The Vain e Pineal Sound System e prometem que o primeiro show na cidade de São Carlos será especial.

Além disso, uma outra novidade:

Sessão DF5 – Em relação intrínseca com o Massa Coletiva e o Clube de Cinema FdE a noite será inaugurada com uma seleção de videodanças e videopoemas que, de outro estado do país, integram o acervo da Distribuidora de Filmes Fora do Eixo. Numa importante parceria entre os projetos @deboche_wer e #DF5 nossa banquinha vai contar dessa vez com produtos audiovisuais para quem estiver na balada.

Serviço:
Noite Fora do Eixo

-Chinese Cookie Poets (Rio de Janeiro-RJ)
-Sin Ayuda (Taubaté-SP)
-Sessão DF5

EVENTO GRATUITO!

Data: 20/9
Local: Palquinho Maluco da UFSCar
Hora: 23h em ponto

Confirme sua presença: http://on.fb.me/ogE2mW

Ago 26, 2011

A viagem digital de ATR na Feira da Música Fortaleza-CE

Oi galera!

É com um prazer imenso que vou tentar botar no papel o que aconteceu durante os 5 dias que ficamos em Fortaleza durante uma ocasião mais que especial: a Feira da Música. Não vai ser fácil, mas vambora.

Nosso avião em Campinas estava marcado para perto das 13h. Saímos com folga de São Carlos, que não é tão longe assim. Ninguém gosta de esperar, mas a gente não podia perder esse vôo de jeito nenhum, né. A Fer Martucci, também membro do Aparelho Coletivo, levou a gente de carro pra Campinas, pois ficava muito mais barato que ir de ônibus. O Nilo (batera) ficou pois tinha que trabalhar e chegaria lá na sexta-feira.

Tudo ocorrido perfeitamente, poucas horas depois (é incrível como viajar de avião é rápido) estávamos sobrevoando Fortaleza. “Velho, a parada é muito grande” foi o que ouvi umas duas três pessoas dizendo, enquanto o mesmo se passava pela minha cabeça. Infelizmente não temos um registro físico dessa imagem, já que é proibido usar qualquer tipo de eletrônicos a bordo (mesmo no modo avião, vai entender), mas da cabeça não vai sair nunca mais.

Descemos do avião ainda meio bestificados, perdidos, mas tivemos uma ótima surpresa no saguão do aeroporto: o motorista da van nos esperava com uma plaquinha escrito “Feira da Música”. Quando perguntamos seu nome ele disse “Pode me chamar de Alegria!” com um baita sorriso no rosto e assim adotamos o apelido de fato com alegria.

Ele nos levou não para o hotel, mas para a casa do Lenildo, da Nádia e do Gabriel, parentes da Aninha, que é uma amiga muito próxima da banda, visto que se formou na mesma classe que a gente na UFSCar. Eles receberam a gente incrivelmente bem num apartamentozinho de térreo num condomínio simples e extremamente aconchegante. O Lenildo trabalha num curso de formação em linguagem cinematográfica e o Gabriel é viciado em música: pronto, tínhamos assunto pra sempre! É claro que aproveitamos o quente de Fortaleza pra tomar uma gelada no mesmo dia. E a noite foi longa devido a uma cachacinha especial deles por lá. Deixa quieto..

No dia seguinte acordamos com uma missão: terminar os DVDs do nosso Kit. Enquanto o Ju gravava e carimbava, eu e o Hard colocávamos o encarte, o CD e o DVD dentro da capinha. A gente queria tirar uma foto e não tinha como. Foi aí que nossa viagem pela internet e pelo digital começou a acontecer. Com a própria webcam do notebook tiramos essas fotos, que não são lá de grande qualidade, mas que, upadas no Facebook em segundos deram início á nossa cobertura digital do rolê:

                                          

 

 

 

 

 

 

 

De missão cumprida guardamos nossas coisas e esperamos a van chegar. Nos despedimos da galera já sabendo que seria por pouco tempo, já que os veríamos mais tarde, e corremos pro  hotel Portal da Praia pra guardar as nossas coisas. O quarto do hotel era relativamente pequeno, mas muito bem arrumado e tinha ótima estrutura, além de possuir ar condicionado, imprescindível em Fortaleza se você não quiser derreter. Velho, tinha internet de graça no hotel e isso possibilitou que mais uma vez utilizássemos a webcam pra registrar o momento e divulgar. Saca só o mapa que encontramos no quarto:


Com as coisas organizadas, corremos pra conhecer o tão bem falado Dragão do Mar. Mano, o lugar é um absurdo, gigantesco, vários prédios, várias praças, quadras, bares, e até uma salinha tipo museu, que abrigava uma exposição interessantíssima de um artista plástico chamado Erickson Britto. Foi aí que fizemos nosso primeiro teste maluco. Dotados de um celular com wireless, aproveitamos a estrutura da Feira da Música (que disponibilizou internet gratuita no Dragão do Mar todos os dias) e subimos nossa primeira foto de um “dispositivo móvel”, no caso uma das obras expostas, saca só que doidera:

Quando saímos da sala-museu nos deparamos com outro cenário: a noite estava chegando ao Dragão do Mar, e também as pessoas. E foi aí que o bixo começou a pegar. Era gente de todo tipo circulando por ali, o que deixou a gente muito feliz. Quando vimos o palco principal, chocamos! A parada era muito grande, velho. Rondando por ali, descobrimos que a primeira apresentação era uma peça de balé da conceituada coreógrafa Débora Colker. Curiosos e instigados, ficamos por ali enquanto não parava de chegar gente, até que o gramado em frente ao palco lotou de maneira absurda. E foi uma “briga”: o pessoal começou a sentar pra todo mundo ficar confortável, mas óbvio que alguns não quiseram se sentar e enfim os sentados começaram a levantar. De qualquer forma, vimos o primeiro ato da peça de maneira tão compenetrada que nem pareceu que durou quase uma hora o espetáculo.

No mesmo dia encontramos muitos amigos, como o Caio do Toque no Brasil, com quem eu tive uma conversa Federal! Contudo prefiro não me alongar aqui senão ou eu ou você desistiremos antes do final do post. Rolou uma balada sensacional de abertura no bar Amici, onde tocaram as #FEmininas e o duo Finlândia. Além disso trombamos mais gente conhecida, como o pessoal das bandas Mama Gumbo e Huey, que se não eram ainda nossos brothers de fato, ali se tornaram. E foi com eles que encerrei minha primeira noite (manhã já, né) num sensacional cais de pedra na praia!

No dia seguinte tínhamos duas coisas na mente: Rodada de Negócios e o painel Copa, Economia e Política, mediado por Glauber Uchoa, do SEBRAE. Ambos foram sensacionais. Na rodada tivemos conversas muito esclarecedoras e produtivas com o pessoal da Melody Box, do Banco do Nordeste, além de ter conhecido o George Frizzo, produtor gente boa demais. O painel foi muito bom também, com extensas discussões sobre a copa no Brasil e suas consequências, com ótimas intervenções do saudoso Cláudio Prado.

E é por aí que as coisas começam a se embaralhar na minha cabeça.. Então, curiosos, atenham-se aos fatos e não a datas, por favor. Vou fingir que lembro de tudo muito bem:

Quando acabou o painel ficamos perambulando mais um pouco pelo Dragão do Mar e tocamos pro hotel, tomar banho e dar uma arejada na cabeça pra sacar mais pra noite o ótimo e pesadíssimo show da galera da Huey. Depois disso, outra baladinha pra encerrar a noite: ótimo show de lançamento do CD do Vitoriano chamado ”Plantando Semente no Asfalto Quente”.

No dia seguinte o painel foi sobre Ativismo Digital, com Pedro Alexandre Sanches (SP), Bruno Torturra (Revista Trip/SP), Uirá Porã (Tuxaxuá Cultura Viva), mediado por Felipe Gurgel  (Jornalista e Músico/CE). Foram horas de troca de ideia sobre o assunto, visto de diversos ângulos e pontos de vista, conjunturas e contextos. E isso tinha tudo a ver com o que digo aqui: sem a internet esse registro do painel não seria possível:

Pra acelerar, nosso último dia foi incrível, mas já tinha aquele gostinho de saudades de quando algo bom tá chegando ao final. Estávamos gastando nossas últimas Patativas, Moeda Complementar usada na Feira da Música com nome que homenageia o grande poeta local Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, que pode ser visto em estátua nessa foto, também tirada do celular:

Comemos todos os dias com elas em restaurantes conveniados à Feira, e com economia deu pra tomar algumas cervejinhas. Um ápice muito massa disso foi na mesa de bar com a galera da Banda de Joseph Tourton, outros parceiros de longa data. Saca só o registro digital instantâneo:

Pra finalizar, chegamos ao clímax e motivo de tudo isso: o show. Depois da apresentação muito louca dos trutas da Mama Gumbo subimos no palco com vontade de descarregar toda a energia acumulada. Pra um palco onde rolou chorinho e orquestra nosso som e postura eram bem diferentes, mas a gente fez o que mais gosta: tocamos. No começo tinha umas 150 pessoas e ao longo do show tantas pessoas foram parando que eu posso chutar umas 400 no final. Só que não vou falar do show. Fica aqui o convite pra que vocês assistam o video no fim desse post.

Mas antes um último agradecimento especial do fundo de nossos corações para todos que fizeram essa Feira acontecer, que lembraram e confiaram na gente, todos que compareceram e cantaram junto nosso instrumental, o grande Lenildo e sua família que nos receberam tão bem, nossa querida amiga Aninha antes tão perto e agora tão longe, o Circuito Fora do Eixo que não só faz parte mas é a nossa vida hoje em dia. Enfim, todos que de alguma maneira estiveram conectados com a gente nesse período tão importante para a banda e para cada um de nós, somos profundamente agradecidos.