Depois das imersões em Poços de Caldas, Porto Alegre e São Carlos, chegou a hora de mergulhar na terra de Di Freittas, apelidado carinhosamente de nosso patrãozinho. Juazeiro do Norte, na região do Cariri, um lugar mágico e místico, riquíssimo de tradições da cultura popular, terra do Padre Cìcero Romão. Acompanhado pelo parceiro Alfredo Bello e pela Andréia, produtora do Itaú Cultural, chegamos na 2a feira, dia 21/11 depois de uma maratona pós Festival Contato. Mesmo com todo o cansaço este dia foi bem produtivo, pois além de conversar bastante com o grupo e descansar um pouco, fomos para a região do Horto, encontrar dona Maria e os Mestres Bosco e Aldenir. Já munidos de equipamentos de gravação, registramos várias canções de autoria deles, rodeado por várias crianças e adolescentes que participaram em diversos momentos. Muita poesia e beleza natural de pessoas que vivem naturalmente a inspiração artística e passam para seus companheiros e para as novas gerações. Em poucas horas deu para perceber a riqueza infinita deles e de outros grupos que iríamos gravar nos próximos dias.

Dormimos cedo porque no outro dia pela manhã retornaríamos a maratona de ensaios para o repertório. Entre o ncontro e São Carlos e este havíamos conversado pouco, mas tinha novidades principalmente em relação as bases de programação que estou trabalhando e alguns esboços de novos sons. Começamos por uma música de Di Freittas chamada Flor do Algodão e ficamos um bom tempo experimentando possíveis arranjos e elementos para ela, até que chegamos a conclusão de levá-la com a essência da composição original, voz e violão, com efeitos de percussão e camadas de guitarra quase minimalistas. Depois, trabalhamos em mais três sons que a princípio já estavam fechados: A Roseira (Onde a Moça Mijou), Bendito, Futebol no Inferno. Demorou um pouco, mas voltamos a nos entrosar e talvez sentir a organicidade do grupo.

Terminado o ensaio, corremos para prestigiar a apresentação de um grupo de côco São Benedito, da Mestra Maria Inês, na semana de educação musical da UFC (Universidade Federal do Cariri). Na 4a feira a nossa relação foi muito melhor, talvez por estarmos mais a vontade pelo convívio ou por concentração e também já começamos o dia gravando o tema Futebol no Inferno, que ganhará um videoclipe. Ajustes finos, foco e alguns takes para se chegar a um resultado satisfatório para todo mundo. Pela manhã e tarde ainda repassamos alguns takes que não haviam sido trabalhados ainda, como Acalmaria, Canga Congada, Prelúdio da Solidão e outras que havíamos feito no dia anterior. 5a feira começou cedo com a apresentação da Orquestra Harmorial do Cariri, comandada por nosso patrão e com a presença de vários alunos e mestres, genial!!!
Depois, ensaiamos mais dois períodos, principalmente músicas do repertório que ainda estão se estruturando, como Sentinela, do Milton Nascimento e Milonga da Casa Tomada, do Arthur de Faria. No meio disso tudo, ainda não tínhamos um nome pro grupo, esperamos e pensamos que a Dona Maria do Horto poderia sugerir dentro dos fluxos doidos da imaginação dela. Numa dessas, antes dela chegar, agoniados por encontrar este nome, o Di perguntou “Cadê Dona Maria?” e no final, acabou virando o nome do grupo, por consenso de todos. Ela ainda apareceu no ensaio e cantou algumas lindas músicas suas, que foram registradas também. No embalo, fomos novemtne pra região do Horto, se juntar com uma criançada, uma porrada de bolas coloridas e numa babilônia imensa, foram gravadas imagens pro videoclipe de Futebol no Inferno. Na noite deste dia, depois de visitar a imagem do Padre Cícero, fizemos uma excelente conversa de avaliação do projeto e saímos com vários encaminhamentos bons em busca de render mais no tempo em que estamos distantes. Foi marcado mais um ensaio em fevereiro, e apresentação está confirmada para o final de abril!!!

Na madrugada, a maior parte da equipe voltou para suas cidades, e fiquei com o Alfredo e o Di gravando mais grupos de cultura popular. Na 6a feira fomos gravar uma banda cabaçal e um “toré de mulher” no quilombo Carcará, cerca de meia hora da pequena cidade de Potengi. Quem nos levou lá e nos apresentou para a calorosa comunidazde foi o Jefferson Bob, músico e secretário de cultura de lá, um cara antenado, que ainda vamos fazer mais coisas juntos, com certeza.
No sábado voltamos par aJuazeiro, mas já partimos pra uma renovação muito bonita que aconteceu em um sítio afastado da cidade, e registramos várias rezas e novamente o coco do grupo da Mestra Maria Inês, que não cansou de tirar com a nossa cara e nos deixou muito a vontade. O domingo, depois de descansar um tanto, ainda gravamos um reizado e coco do Mestre Dôdo, e saímos felizes da vida com tanta energia e lições de vida que recebemos.

Ficou a instiga grande de um retorno em breve e o agradecimento especial para o Di Freittas e para a Cláudia. Seguimos juntos neste processo de produção e aprendizado cada vez mais amplo e coletivo. Quem quiser ouvir alguns sons e mais impressões sobre esta imersão, fizemos um especial no programa Independência ou Marte#212:











